Com a promulgação da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/24), as companhias aéreas brasileiras terão a habilidade de começar a definir suas necessidades de abastecimento de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) a partir do ano de 2027, quando serão então obrigadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa nos voos domésticos. As metas estabelecidas pela legislação preveem uma redução inicial de 1% (um por cento) nas emissões por meio do uso de SAF, com um aumento gradual até atingir 10% (dez por cento) no ano de 2037.

Enquanto isso, empresas do setor energético estão investindo na construção de plantas para atender à demanda interna e externa por SAF. Atualmente, não há produção comercial de SAF no Brasil, mas o Ministério de Minas e Energia prevê que os investimentos no setor atinjam R$17,5 bilhões até o ano de 2027. Companhias como Acelen, Raízen, Petrobras e BBF já anunciaram investimentos no setor e estão projetando suas capacidades de produção anual.

As companhias aéreas, por sua vez, reconhecem que uma única produtora de SAF não será capaz de suprir toda a demanda interna, e não descartam a possibilidade de importar o combustível caso a produção nacional não seja suficiente. A Azul Linhas Aéreas, por exemplo, estima que sua frota demandará cerca de 25 milhões de litros de SAF até o ano de 2027, com crescimento anual de mais 25 milhões de litros, conforme as metas estabelecidas pela legislação.

O mercado prevê não apenas o aumento da demanda interna, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, mas também as oportunidades globais. O Brasil se posiciona como uma grande oportunidade para se tornar uma referência mundial na produção e fornecimento de SAF, atendendo tanto ao mercado doméstico quanto à demanda internacional.