Após meses de expectativa sobre uma possível fusão entre as companhias Azul Linhas Aéreas e Gol Linhas Aéreas, o plano que poderia transformar o mercado da aviação brasileira chegou oficialmente ao fim. No final de setembro de 2025, o Grupo Abra – holding que controla a Gol – anunciou que as negociações com a Azul foram encerradas. Além disso, o acordo de codeshare, que permitia a venda de passagens em voos compartilhados entre as duas empresas, também foi cancelado.
A notícia marca o fim de um capítulo que começou com bastante entusiasmo no início de 2025, quando as duas companhias anunciaram um memorando de entendimento para estudar uma fusão. Se concretizado, o acordo criaria uma gigante da aviação nacional, com mais de 60% do mercado doméstico.
Mas o cenário mudou.
O que era o acordo entre Azul e Gol?
Em janeiro de 2025, Azul e Gol decidiram unir esforços e começaram a negociar uma fusão. A ideia era somar forças num mercado altamente competitivo, buscando eficiência de operação, aumento de rotas e ganho de escala. Para facilitar a integração, as empresas firmaram, em maio, um acordo de codeshare – que funcionava como uma parceria comercial: passageiros podiam, por exemplo, comprar passagens da Gol para voar com a Azul, e vice-versa. Também havia integração parcial entre os programas de fidelidade.
Na prática, os passageiros começaram a ter acesso a mais destinos e opções de conexão. Para as empresas, era uma forma de testar a cooperação antes de um possível casamento definitivo.
Por que a fusão não aconteceu?
Apesar das intenções iniciais, as negociações não avançaram como esperado. O Grupo Abra afirmou que, ao longo dos meses, houve pouco progresso real nas conversas. Um dos principais motivos apontados foi o foco da Azul em seu processo de reestruturação financeira.
A Azul está passando por um processo de Chapter 11 nos Estados Unidos — um tipo de recuperação judicial voltado à reestruturação de dívidas e contratos. Isso exigiu tempo, energia e atenção da companhia, deixando a possível fusão em segundo plano.
Outro ponto que pesou foi a complexidade regulatória e financeira de uma operação dessa magnitude. A fusão precisaria ser aprovada por órgãos como o CADE (responsável pela concorrência no Brasil) e pela ANAC. Além disso, havia cláusulas que limitavam o nível de endividamento permitido após a união — um fator complicado, já que tanto Gol quanto Azul enfrentam desafios financeiros.
O que muda para os passageiros?
Com o fim do codeshare, os voos deixam de ser compartilhados entre as duas companhias. Isso significa que os passageiros não poderão mais comprar passagens da Gol para voar com a Azul (e vice-versa), nem acumular pontos entre os programas de fidelidade como antes.
No entanto, as empresas garantiram que os bilhetes já comprados continuam válidos. Ou seja, quem já tem passagem emitida em voos operados em parceria, poderá voar normalmente.
Com o encerramento do acordo, o mercado de aviação brasileiro continua dividido entre três grandes players: Gol, Azul e Latam. A fusão entre Azul e Gol, se tivesse ocorrido, teria consolidado uma liderança de mercado inédita, mas também levantaria preocupações sobre concorrência e impacto nos preços das passagens.
Por enquanto, o cenário segue mais equilibrado, com as três empresas competindo por espaço – o que pode ser benéfico para os consumidores.
E agora?
A Azul seguirá focada na sua reestruturação financeira, enquanto a Gol, que também passou por um processo de recuperação judicial internacional, continua com seus planos de retomada independente. Ambas ainda enfrentam desafios econômicos e operacionais, como o preço do combustível, flutuações cambiais e alta competitividade.
Apesar do fim da parceria, o mercado continua atento a possíveis novas movimentações – seja uma futura reaproximação ou até alianças com outros grupos.
Conclusão
O fim das negociações entre Azul e Gol mostra como o setor aéreo é dinâmico, mas também sensível a questões financeiras e regulatórias. Mesmo com intenções estratégicas alinhadas, a realidade das empresas falou mais alto. Agora, cada companhia volta a trilhar seu próprio caminho, pelo menos por enquanto.
Fontes
Agência Brasil
“Azul e Gol assinam acordo para avaliar fusão entre aéreas”
Link: agenciabrasil.ebc.com.br
UOL Notícias
“Azul e Gol assinam acordo para estudar fusão e codeshare”
Link: noticias.uol.com.br
FlightGlobal
“Abra Group terminates Gol-Azul combination talks”
Link: flightglobal.com
Aerotime Hub
“Gol ends merger talks with Azul, terminates codeshare agreement”
Link: aerotime.aero
adept.travel
“Gol & Azul End Merger Talks and Codeshare Agreement”
Link: adept.travel
Financial Times
“Brazil’s Azul airline files for Chapter 11 protection in US”
Link: ft.com
Investalk (Banco do Brasil)
“O que há por trás do acordo de codeshare entre Gol e Azul?”
Link: investalk.bb.com.br
Reuters
“Brazilian airline Gol says parent talking with Azul amid merger speculation”
Link: reuters.com